Zombaria a que os veteranos das escolas sujeitam os calouros. Esse é um dos vários significados da palavra trote. Todavia, esse ato poderia se chamar imbecilidade (retardo mental em que o nível intelectual do indivíduo não ultrapasse o de uma criança de sete anos).
Todos os anos, nos deparamos com os tradicionais trotes onde o calouro vai normalmente para a sala de aula, porém é submetido a realizar coisas bizarras.
Quando o trote é leve, os veteranos (organizadores) impõem aos calouros passar um chiclete de boca em boca, andar descalços e outras infantilidades. Cuidado! Se você for um estudante de cabelos longos, terá que cortar os cabelos, sob pena de pagar um valor em dinheiro para a caixinha (local onde os veteranos guardam as economias para festas futuras). Se você se acha esperto e optar por não participar do trote, poderá ser banido de todos os eventos festivos de sua classe. Então, você não tem saída. Ou participa e é humilhado ou participa e é agredido.
Porém, todos aqueles que participam dos trotes, sabem que nem sempre os mesmos acabam bem. Em março de 1980, Carlos Alberto de Souza, calouro da Universidade de Mogi das Cruzes (SP), não aceitou que alguns “veteranos” cortassem o seu cabelo. Revoltados, os estudantes que praticavam o trote agrediram o calouro com socos e pontapés – Souza não resistiu aos atos de violência e morre. Dez anos depois, o estudante de direito George Parreira Mattos, morreu em conseqüência de uma parada cardíaca, quando tentava fugir de um trote,
Outros absurdos como, alunos de faculdades particulares disputando espaço nas sinaleiras com pessoas que não têm o que comer, para ver quem leva a melhor em míseros dez centavos, mancham ainda mais a nossa cidade, sofrida pela indiferença e o elevado número de meninos de rua que tentam sobreviver com esses trocados. Ovos, frutas, farinha e outros mantimentos, são as fantasias do desperdício. Fantasias que, por um momento pode servir de alimento para um mendigo. Não podemos deixar de demonstrar a nossa indignação com a sociedade conivente com esse ato desanimador. Sociedade, que muitas vezes se queixa das taxas tributárias altíssimas e ajuda um calouro a encher o bolso de dinheiro, deixando de doar para quem precisa. A questão aqui, não é apoiar o “trocado na sinaleira”. Mas, já que está disposto a doar, que doe para quem realmente precisa.
Depois de atingida a sua cota, para onde vai o dinheiro “suado” que os calouros arrecadaram em seu árduo trabalho? Seria para algum asilo? Para um orfanato? Ou, para uma humilde escola? O pior, é a resposta para essas perguntas. Porque não há uma resposta para essas perguntas. O lucro, servirá para grandes festas dos veteranos onde a regra básica é beber até cair. Zoar daqueles que por um momento foram vistos como ingênuos e impotentes.
No país da desigualdade, mesmo nas sinaleiras, fica claro que, a brincadeira de uns é o ganha pão de outros.
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