
$$ A CULTURA DE PELOTAS $$
Estacionamento, Supermercado, Igreja e Loja
Em 1780, começa a história de um dos municípios mais charmosos de todo o Brasil.
Pelotas, terceira cidade mais populosa do Estado, está a
Museu da Baronesa, Grande Hotel, Castelo Simões Lopes, Praia do Laranjal, Mercado Público, os Casarões da Praça Coronel Pedro Osório, Teatro Guarani e Teatro Sete de Abril, são alguns dos pontos turísticos mais conhecidos e visitados.
Gostaria de abrir um parágrafo para uma rara beleza. Quem visitar Pelotas e não passar pela Catedral São Francisco de Paula, não visitou a cidade. Fundada a partir de 1832, inclui-se sem dúvida entre as 10 Igrejas mais lindas do Brasil.
Além de possuir diversas faculdades e escolas, Pelotas, também é reconhecida por seu variado comércio localizado principalmente no calçadão da Rua Andrade Neves.
Contudo, infelizmente, a palavra “comércio”, vem se destacando e muito na cidade que já levou o nome de berço cultural. Há quem diga que em Pelotas só não se vende à alma. Talvez, por administrações desastrosas aliada com a alta tecnologia, a nossa Princesa do Sul, não seja mais vista como cultural e sim como a terra que nada dá certo. Particularmente, não gosto desses adjetivos e condeno filhos que mancham o nome de Pelotas por ai a fora.
Os nossos antigos e famosos cinemas, grandes representantes culturais, também não conseguiram escapar do forte comércio e foram atraídos e trocados por “moedas”.
O Cine Capitólio um dos mais antigos em atividade no Rio Grande do Sul, fundado em 1928, com capacidade para mais de 700 pessoas, fechou em outubro de 2007 e hoje funciona um estacionamento. Quando foi questionado sobre a falência do cinema, o proprietário contestou a ausência de público nas salas e disse que não tinha mais como segurar as despesas.
Em 1962, passou a funcionar o Pelotense Cine-Rádio, ou Cine Pelotense. Conhecido por suas matinês e filas para comprar balas, o cinema também não se adaptou ao modernismo fechando as suas portas em março de 1997. Suas poltronas foram leiloadas por R$ 10,00. Hoje, no local, está instalado um supermercado. No palco do antigo cinema, funciona a padaria e o açougue do estabelecimento.
Logo em seguida em 63, foi criado o Cine Tabajara. Responsável por grandes estréias cinematográficas como Jurassic Park, um dos filmes mais marcantes dos anos 90 e até hoje, o Tabajara fechou há quase vinte anos. Não resistindo à força das “novas Igrejas” o prédio foi comprado.
Pequenino mas aconchegante. Na sua programação; filmes para todas as idades até uma certa hora, em seguida, apenas para maiores de 18 anos. Criticado por muitos, o Cine Rei, também não conseguiu resistir à era dos anos 90 e fechou suas portas. Hoje, pela sua condição geográfica privilegiada, não poderia existir outra coisa que não fosse uma loja.
Não podemos condenar as pessoas que por um motivo ou outro, foram obrigadas a negociar os nossos espaços culturais. Precisamos entender que todos e tudo, passam por reformulações e modificações e infelizmente, se não nos adaptarmos não sobrevivemos. O que fazer se nos dias de hoje, existe o comércio clandestino de filmes? As condições financeiras ultrapassam até mesmo o charme dos antigos cinemas e tudo de maravilhoso que eles nos proporcionavam. Nada podemos fazer contra a Internet e a facilidade que ela traz para aquisição de um simples filme.
O que precisamos entender é que a mudança é inevitável. Nada será como antes. Mas, amar sempre a nossa terra é uma forma de apresentar a nossa cultura. Acreditando e buscando o melhor para Pelotas, ainda é a melhor saída.
Um comentário:
que ano exatamente fechou o cine tabajara? Obrigado
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